quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os bons recados vêm de onde menos se espera


Andar pela Avenida Fernandes Lima, a qualquer hora do dia, é um exercício de paciência, é contar carneirinhos até mil para não explodir. E na hora de meio dia então!
Pois bem, nesta hora, o melhor a fazer é ligar o rádio e como sempre, ligo na Jovempan que apresenta o pânico no rádio. Uma mistura de besteirol, boa música e eventualmente um assunto sério.
Hoje foi o dia da coisa séria, dita por um humorista de stand-up, Márcio Américo que dissertou sobre a vida profissional, contou piadas, trocou farpinhas humorísticas, mas falou sério, sério com a experiência de quem já foi um usuário de droga, senão, transcrevo aqui um pequeno trecho do que foi publicado no programa Pânico de hoje.
Em um determinado momento, foi-lhe perguntado sobre os efeitos das drogas em sua vida e ele ponderou que em muitos momentos foram bons, mas que no geral com o tempo é sempre muito ruim.
“DROGAS

Emilio: Como foi que você entrou nesse negócio de drogas?
Marcio: Na verdade eu nem usei muito. Eu usava um período e depois ficava um tempão sem usar, quando eu tava internado.
Amanda: Fraco você, né?
Bola: Quando você ficava internado não usava, entendi.
Marcio: Você passa por cada coisa nessas internações. Nas terças eles serviam suflê de chuchu e ninguém comia. Eu entrei nessa via eu acho que por meio de uma busca por identidade e não percebi que a perdi para os traficantes. Tem gente que perde coisa pior.
Evandro: Tipo o quê?
Marcio: Tipo coisas que você só recupera com uma cirurgia no local.
Carioca: Agora você tá limpo?
Marcio: Estou, minha única droga é Big Brother.”

Segundo seus comentários a imensa maioria dos usuários adquiriu o vício por falta de orientação real, pois se uma pessoa experimenta qualquer droga e o efeito tanto no momento quanto depois é muito ruim seguramente esta pessoa jamais será um viciado. O problema está naqueles que gostaram do produto e no dia seguinte não sentiram nenhum efeito negativo. Estes estão condenados a serem viciados.
Ouvi então, ainda sobre a continuidade do uso da droga, aqui eu saliento QUALQUER UMA, deve-se a forma que a mesma é introduzida no meio, os meios de supressão do uso da mesma e ainda a forma que se tenta conscientizar os jovens, os adultos, enfim, qualquer iniciante que aquilo NÃO PRESTA.
Não adianta, segundo este humorista, convencer os futuros usuários que a droga é ruim, se ele não gostou, da primeira vez, jamais fará uso novamente, mas se gostou, se encontrou facilidade na sua obtenção, e isso há, em todos os níveis sociais, a forma de trazer esta pessoa para o convívio natural, a forma de fazer este iniciante não seguir em frente é UNICAMENTE, mostrar, através de exemplos reais, ou mesmo através da sua própria experiência, que a DROGA é BOA, a DROGA o deixa feliz, a DROGA afasta a tristeza,  a DROGA permite o estreitamento de “AMIZADES”, mas no INICIO, e aqui eu repito, SOMENTE NO INICIO, O USUÁRIO É FELIZ, É FORTE, É ALEGRE, FAZ MUITOS AMIGOS, porque quando o vício, quando a dependência já está instalada VEM SEMPRE A TRISTEZA, NOS TORNAMOS PESSOAS FRACAS, INCAPAZES DE QUALQUER RACIOCINIO LÓGICO, NOS TORNAMOS CAPAZES DE QUALQUER ATO, ATÉ MESMO de DESONESTIDADES, para obtermos um mínimo que nos satisfaça naquele momento. É A DEGRADAÇÃO DO SER HUMANO. Isto é o que tem que ser mostrado nas campanhas públicas de combate às drogas porque depois o conserto será muito mais caro, muito mais sofrido e às vezes com um resultado pouco satisfatório.
Temos visto, diariamente, perseguições cinematográficas aos traficantes, cerceamento da liberdade dos viciados, combate à formação das bocas do vício, mas estas campanhas teriam muito melhor resultado se tanto o governo, as escolas e mais enfaticamente as famílias mostrassem aos seus entes, aos seus governados aos seus alunos que a DROGA É MUITO BOA, NO INÍCIO, MAS LOGO, MUITO RAPIDAMENTE LEVARÁ A DEGRADAÇÃO SOCIAL, FAMILIAR E EM CURTISSIMO ESPAÇO DE TEMPO À MORTE.
Nem sou o mais antenado sobre o assunto, mas como espectador da vida e ouvindo hoje a prelação daquele humorista, senti-me na obrigação de fazer este pequeno comentário.