Andar pela Avenida Fernandes
Lima, a qualquer hora do dia, é um exercício de paciência, é contar carneirinhos
até mil para não explodir. E na hora de meio dia então!
Pois bem, nesta hora, o melhor a
fazer é ligar o rádio e como sempre, ligo na Jovempan que apresenta o pânico no
rádio. Uma mistura de besteirol, boa música e eventualmente um assunto sério.
Hoje foi o dia da coisa séria,
dita por um humorista de stand-up, Márcio Américo que dissertou sobre a vida
profissional, contou piadas, trocou farpinhas humorísticas, mas falou sério,
sério com a experiência de quem já foi um usuário de droga, senão, transcrevo
aqui um pequeno trecho do que foi publicado no programa Pânico de hoje.
Em um determinado momento, foi-lhe
perguntado sobre os efeitos das drogas em sua vida e ele ponderou que em muitos
momentos foram bons, mas que no geral com o tempo é sempre muito ruim.
“DROGASEmilio: Como foi que você entrou nesse negócio de drogas?
Marcio: Na verdade eu nem usei muito. Eu usava um período e depois ficava um tempão sem usar, quando eu tava internado.
Amanda: Fraco você, né?
Bola: Quando você ficava internado não usava, entendi.
Marcio: Você passa por cada coisa nessas internações. Nas terças eles serviam suflê de chuchu e ninguém comia. Eu entrei nessa via eu acho que por meio de uma busca por identidade e não percebi que a perdi para os traficantes. Tem gente que perde coisa pior.
Evandro: Tipo o quê?
Marcio: Tipo coisas que você só recupera com uma cirurgia no local.
Carioca: Agora você tá limpo?
Marcio: Estou, minha única droga é Big Brother.”
Segundo seus comentários a imensa
maioria dos usuários adquiriu o vício por falta de orientação real, pois se uma
pessoa experimenta qualquer droga e o efeito tanto no momento quanto depois é
muito ruim seguramente esta pessoa jamais será um viciado. O problema está
naqueles que gostaram do produto e no dia seguinte não sentiram nenhum efeito
negativo. Estes estão condenados a serem viciados.
Ouvi então, ainda sobre a
continuidade do uso da droga, aqui eu saliento QUALQUER UMA, deve-se a forma
que a mesma é introduzida no meio, os meios de supressão do uso da mesma e
ainda a forma que se tenta conscientizar os jovens, os adultos, enfim, qualquer
iniciante que aquilo NÃO PRESTA.
Não adianta, segundo este
humorista, convencer os futuros usuários que a droga é ruim, se ele não gostou,
da primeira vez, jamais fará uso novamente, mas se gostou, se encontrou
facilidade na sua obtenção, e isso há, em todos os níveis sociais, a forma de
trazer esta pessoa para o convívio natural, a forma de fazer este iniciante não
seguir em frente é UNICAMENTE, mostrar, através de exemplos reais, ou mesmo
através da sua própria experiência, que a DROGA é BOA, a DROGA o deixa feliz, a
DROGA afasta a tristeza, a DROGA permite
o estreitamento de “AMIZADES”, mas no INICIO, e aqui eu repito, SOMENTE NO
INICIO, O USUÁRIO É FELIZ, É FORTE, É ALEGRE, FAZ MUITOS AMIGOS, porque quando
o vício, quando a dependência já está instalada VEM SEMPRE A TRISTEZA, NOS
TORNAMOS PESSOAS FRACAS, INCAPAZES DE QUALQUER RACIOCINIO LÓGICO, NOS TORNAMOS
CAPAZES DE QUALQUER ATO, ATÉ MESMO de DESONESTIDADES, para obtermos um mínimo
que nos satisfaça naquele momento. É A DEGRADAÇÃO DO SER HUMANO. Isto é o que
tem que ser mostrado nas campanhas públicas de combate às drogas porque depois
o conserto será muito mais caro, muito mais sofrido e às vezes com um resultado
pouco satisfatório.
Temos visto, diariamente, perseguições
cinematográficas aos traficantes, cerceamento da liberdade dos viciados,
combate à formação das bocas do vício, mas estas campanhas teriam muito melhor
resultado se tanto o governo, as escolas e mais enfaticamente as famílias mostrassem
aos seus entes, aos seus governados aos seus alunos que a DROGA É MUITO BOA, NO
INÍCIO, MAS LOGO, MUITO RAPIDAMENTE LEVARÁ A DEGRADAÇÃO SOCIAL, FAMILIAR E EM
CURTISSIMO ESPAÇO DE TEMPO À MORTE.
Nem sou o mais antenado sobre o assunto, mas
como espectador da vida e ouvindo hoje a prelação daquele humorista, senti-me
na obrigação de fazer este pequeno comentário.